Ensaios
A gramática iliberal da suspeita
O iliberalismo contemporâneo raramente se apresenta como inimigo da democracia. Prefere falar de ordem, eficiência e segurança. Mas é precisamente aí que reside a sua força: não destrói instituições de forma abrupta, transforma-as gradualmente por dentro. Da proteção à suspeita, da integração à supervisão, a mudança começa muitas vezes nos detalhes administrativos.
Ensaios
A ilusão da convergência salarial
A redução da desigualdade salarial é uma boa notícia. Mas quando o salário mínimo se aproxima cada vez mais do salário mediano, estamos perante uma economia mais próspera ou apenas uma estrutura salarial mais comprimida? Uma reflexão sobre salários, produtividade e os limites da convergência salarial em Portugal.
Cultura & IdeiasTV & Cinema
Humanismo em Ruínas: Uma leitura de Ergo Proxy
Sob a superfície de uma distopia futurista, Ergo Proxy revela-se uma reflexão sobre identidade, cidadania, tecnocracia e condição humana. Mais do que um anime sobre o futuro, é um ensaio sobre as tensões da modernidade e os limites de uma sociedade que procura transformar a vida num problema de gestão.
Entre Linhas
O Benfica e a erosão da sua própria identidade
O Benfica não perdeu apenas peso competitivo no futebol europeu. Perdeu parte da sua capacidade de se reconhecer a si próprio. Entre a financeirização do futebol, a erosão de referências duradouras e a lógica de reinício permanente, o clube transformou-se numa instituição mais instável, mais transitória e menos coerente com a identidade histórica que durante décadas o distinguiu
Mundo
A excepção como rotina: o que a crise israelita nos diz sobre a erosão democrática
A partir de duas análises recentes sobre Israel, este ensaio reflecte sobre erosão democrática, polarização e fragilidade institucional em contextos de conflito prolongado. Entre a linguagem da segurança, a crise do contrato social e a transformação da divergência política em antagonismo existencial, o caso israelita surge como um espelho de tendências mais amplas nas democracias contemporâneas.
Ensaios
Porque funciona o iliberalismo instrumental do CHEGA?
O crescimento do CHEGA não nasce do vazio. Entre frustração económica, mudança social acelerada e erosão da confiança institucional, o partido transforma mal-estar difuso em linguagem política simples, emocional e eficaz.
Ensaios
Portugal e a Ilusão da Substituição Laboral
O debate sobre imigração em Portugal continua frequentemente preso a slogans e simplificações. Mas o caso recente da Coreia do Sul mostrou algo mais incómodo: economias envelhecidas e dependentes de setores intensivos em trabalho nem sempre conseguem substituir rapidamente trabalhadores migrantes. O problema português pode dizer menos sobre imigração e mais sobre os limites estruturais do próprio modelo económico.
GeopolíticaMundo
A Alemanha deixou de ser previsível — e isso muda a Europa
O primeiro ano de Friedrich Merz revela mais do que a fragilidade de um chanceler impopular: expõe a erosão do modelo económico, político e estratégico que durante décadas fez da Alemanha a âncora de estabilidade da Europa
Ensaios
Entre identidade e instrumento: o iliberalismo como método
O debate sobre o CHEGA oscila entre rótulos simplistas e leituras redutoras. Mais do que uma identidade ideológica estável, o que emerge é um iliberalismo frequentemente usado como instrumento — adaptado ao contexto, orientado pela oportunidade e com implicações reais para a democracia.