A gramática iliberal da suspeita

A gramática iliberal da suspeita

Paulo Trindade
Junho 24, 2026

O iliberalismo contemporâneo raramente se apresenta como inimigo da democracia. Prefere falar de ordem, eficiência e segurança. Mas é precisamente aí que reside a sua força: não destrói instituições de forma abrupta, transforma-as gradualmente por dentro. Da proteção à suspeita, da integração à supervisão, a mudança começa muitas vezes nos detalhes administrativos.

Quando a proteção deixa de ser um direito

Quando a proteção deixa de ser um direito

Paulo Trindade
Junho 12, 2026

A discussão sobre o Estado social não se resume ao seu tamanho nem ao volume da despesa pública. A questão decisiva é outra: porque protege o Estado os seus cidadãos? O debate em torno da Prestação Social Única sugere uma mudança mais profunda do que uma simples reforma administrativa. Quando a proteção deixa de ser entendida como um direito associado à cidadania e passa a depender de critérios crescentes de condicionalidade, altera-se a própria filosofia que sustenta o Estado social.

A ilusão da convergência salarial

A ilusão da convergência salarial

Paulo Trindade
Junho 9, 2026

A redução da desigualdade salarial é uma boa notícia. Mas quando o salário mínimo se aproxima cada vez mais do salário mediano, estamos perante uma economia mais próspera ou apenas uma estrutura salarial mais comprimida? Uma reflexão sobre salários, produtividade e os limites da convergência salarial em Portugal.

Humanismo em Ruínas: Uma leitura de Ergo Proxy

Humanismo em Ruínas: Uma leitura de Ergo Proxy

Paulo Trindade
Junho 2, 2026

Sob a superfície de uma distopia futurista, Ergo Proxy revela-se uma reflexão sobre identidade, cidadania, tecnocracia e condição humana. Mais do que um anime sobre o futuro, é um ensaio sobre as tensões da modernidade e os limites de uma sociedade que procura transformar a vida num problema de gestão.

O Benfica e a erosão da sua própria identidade

O Benfica e a erosão da sua própria identidade

Paulo Trindade
Maio 26, 2026

O Benfica não perdeu apenas peso competitivo no futebol europeu. Perdeu parte da sua capacidade de se reconhecer a si próprio. Entre a financeirização do futebol, a erosão de referências duradouras e a lógica de reinício permanente, o clube transformou-se numa instituição mais instável, mais transitória e menos coerente com a identidade histórica que durante décadas o distinguiu

A excepção como rotina: o que a crise israelita nos diz sobre a erosão democrática

A excepção como rotina: o que a crise israelita nos diz sobre a erosão democrática

Paulo Trindade
Maio 19, 2026

A partir de duas análises recentes sobre Israel, este ensaio reflecte sobre erosão democrática, polarização e fragilidade institucional em contextos de conflito prolongado. Entre a linguagem da segurança, a crise do contrato social e a transformação da divergência política em antagonismo existencial, o caso israelita surge como um espelho de tendências mais amplas nas democracias contemporâneas.

Porque funciona o iliberalismo instrumental do CHEGA?

Porque funciona o iliberalismo instrumental do CHEGA?

Paulo Trindade
Maio 18, 2026

O crescimento do CHEGA não nasce do vazio. Entre frustração económica, mudança social acelerada e erosão da confiança institucional, o partido transforma mal-estar difuso em linguagem política simples, emocional e eficaz.

Portugal e a Ilusão da Substituição Laboral

Portugal e a Ilusão da Substituição Laboral

Paulo Trindade
Maio 11, 2026

O debate sobre imigração em Portugal continua frequentemente preso a slogans e simplificações. Mas o caso recente da Coreia do Sul mostrou algo mais incómodo: economias envelhecidas e dependentes de setores intensivos em trabalho nem sempre conseguem substituir rapidamente trabalhadores migrantes. O problema português pode dizer menos sobre imigração e mais sobre os limites estruturais do próprio modelo económico.

A Alemanha deixou de ser previsível — e isso muda a Europa

A Alemanha deixou de ser previsível — e isso muda a Europa

Paulo Trindade
Maio 6, 2026

O primeiro ano de Friedrich Merz revela mais do que a fragilidade de um chanceler impopular: expõe a erosão do modelo económico, político e estratégico que durante décadas fez da Alemanha a âncora de estabilidade da Europa

Entre identidade e instrumento: o iliberalismo como método

Entre identidade e instrumento: o iliberalismo como método

Paulo Trindade
Maio 3, 2026

O debate sobre o CHEGA oscila entre rótulos simplistas e leituras redutoras. Mais do que uma identidade ideológica estável, o que emerge é um iliberalismo frequentemente usado como instrumento — adaptado ao contexto, orientado pela oportunidade e com implicações reais para a democracia.