Ensaios
Quando o adversário escolhe o terreno
A direita radical não precisa de governar para transformar o sistema político. Pode fazê-lo quando consegue definir os temas, deslocar posições e influenciar a própria linguagem dos seus adversários. A partir da Alemanha, da Suécia e do caso português, este ensaio procura perceber como esse poder de enquadramento se exerce antes da decisão formal.
Ensaios
A Europa redescobriu a política industrial. Portugal ainda discute se deve usá-la
Durante décadas, a União Europeia privilegiou a concorrência e a abertura dos mercados em detrimento da política industrial. Hoje, Bruxelas muda de rumo. Portugal, porém, continua a discutir instrumentos quando o verdadeiro desafio é definir uma estratégia de desenvolvimento.
Ensaios
A gramática iliberal da suspeita
O iliberalismo contemporâneo raramente se apresenta como inimigo da democracia. Prefere falar de ordem, eficiência e segurança. Mas é precisamente aí que reside a sua força: não destrói instituições de forma abrupta, transforma-as gradualmente por dentro. Da proteção à suspeita, da integração à supervisão, a mudança começa muitas vezes nos detalhes administrativos.
Ensaios
A ilusão da convergência salarial
A redução da desigualdade salarial é uma boa notícia. Mas quando o salário mínimo se aproxima cada vez mais do salário mediano, estamos perante uma economia mais próspera ou apenas uma estrutura salarial mais comprimida? Uma reflexão sobre salários, produtividade e os limites da convergência salarial em Portugal.
Ensaios
Porque funciona o iliberalismo instrumental do CHEGA?
O crescimento do CHEGA não nasce do vazio. Entre frustração económica, mudança social acelerada e erosão da confiança institucional, o partido transforma mal-estar difuso em linguagem política simples, emocional e eficaz.
Ensaios
Portugal e a Ilusão da Substituição Laboral
O debate sobre imigração em Portugal continua frequentemente preso a slogans e simplificações. Mas o caso recente da Coreia do Sul mostrou algo mais incómodo: economias envelhecidas e dependentes de setores intensivos em trabalho nem sempre conseguem substituir rapidamente trabalhadores migrantes. O problema português pode dizer menos sobre imigração e mais sobre os limites estruturais do próprio modelo económico.
Ensaios
Entre identidade e instrumento: o iliberalismo como método
O debate sobre o CHEGA oscila entre rótulos simplistas e leituras redutoras. Mais do que uma identidade ideológica estável, o que emerge é um iliberalismo frequentemente usado como instrumento — adaptado ao contexto, orientado pela oportunidade e com implicações reais para a democracia.