Ensaios
A gramática iliberal da suspeita
O iliberalismo contemporâneo raramente se apresenta como inimigo da democracia. Prefere falar de ordem, eficiência e segurança. Mas é precisamente aí que reside a sua força: não destrói instituições de forma abrupta, transforma-as gradualmente por dentro. Da proteção à suspeita, da integração à supervisão, a mudança começa muitas vezes nos detalhes administrativos.
Mundo
A excepção como rotina: o que a crise israelita nos diz sobre a erosão democrática
A partir de duas análises recentes sobre Israel, este ensaio reflecte sobre erosão democrática, polarização e fragilidade institucional em contextos de conflito prolongado. Entre a linguagem da segurança, a crise do contrato social e a transformação da divergência política em antagonismo existencial, o caso israelita surge como um espelho de tendências mais amplas nas democracias contemporâneas.
Ensaios
Porque funciona o iliberalismo instrumental do CHEGA?
O crescimento do CHEGA não nasce do vazio. Entre frustração económica, mudança social acelerada e erosão da confiança institucional, o partido transforma mal-estar difuso em linguagem política simples, emocional e eficaz.
Ensaios
Entre identidade e instrumento: o iliberalismo como método
O debate sobre o CHEGA oscila entre rótulos simplistas e leituras redutoras. Mais do que uma identidade ideológica estável, o que emerge é um iliberalismo frequentemente usado como instrumento — adaptado ao contexto, orientado pela oportunidade e com implicações reais para a democracia.
Ensaios
Sem autocrítica, o progressismo perde terreno
A expansão de direitos não está em causa. Mas a forma como alguns debates foram conduzidos — na linguagem, na pedagogia e no espaço público — gerou resistências que não podem ser ignoradas. Sem autocrítica, o progressismo perde capacidade de resposta e entrega aos extremos o terreno que depois diz querer defender.
GeopolíticaMundo
Hungria: o teste final à coerência da União Europeia
A Hungria deixou de ser apenas um desvio iliberal. Tornou-se um modelo que testa os limites da União Europeia — e expõe uma questão central: até que ponto pode um Estado-membro beneficiar da integração enquanto subverte os seus princípios?
PolíticaSociedade
Rever ou reconfigurar: o teste da Constituição
A revisão constitucional deixou de ser um exercício técnico e passou a ser um teste político. Entre atualização legítima e reconfiguração do regime, a linha não é jurídica — é de poder.
Ensaios
O Golpe Sem Dia Zero
A democracia sem substância numa era de crise permanente Durante décadas, a imagem de um golpe de Estado foi relativamente...