Sobre

Há momentos em que o problema já não é a falta de opinião, mas o excesso de ruído.

Tudo se diz, tudo se equipara, tudo se relativiza. E, nesse movimento, os limites tornam-se difusos — não por complexidade, mas por desistência.

Perímetro nasce dessa recusa.

Não para ocupar uma margem confortável, nem para arbitrar verdades absolutas, mas para delimitar o que ainda cabe dentro do debate democrático. Para pensar o presente com critério, sem ceder à pressa, à indignação performativa ou à falsa equidistância.

Há ideias que regressam disfarçadas de novidade. Há discursos que se normalizam por cansaço. Há consensos que se deslocam sem que se discuta o que ficou para trás.

Pensar tudo isto exige tempo, contexto e responsabilidade — três coisas escassas no espaço público actual.

Este projecto assume uma convicção simples:

nem tudo é aceitável,
nem tudo é equivalente,
nem tudo merece o mesmo lugar.

Mas essa distinção não se impõe — explica-se.

Perímetro é um espaço de ensaio, análise e reflexão política e cultural.
Um lugar onde os limites não são muros, mas critérios.

Onde o desacordo é bem-vindo, desde que seja intelectualmente honesto.
Onde pensar continua a ser um acto cívico.

Não contra alguém.
Não ao serviço de uma tribo.

Mas atento ao que ameaça diluir aquilo que ainda sustenta a democracia.

Aqui, o debate não começa do zero.
Começa com consciência do perímetro.